Reserva de Fluxo Fracionada (FFR): Avaliando a real necessidade de tratar seu coração

Quando um paciente realiza um cateterismo cardíaco, o exame de imagem (angiografia) pode revelar uma ou mais obstruções (estenoses) nas artérias coronárias. A pergunta que surge imediatamente, tanto para o médico quanto para o paciente, é: “Essa obstrução precisa ser tratada com uma angioplastia com stent?” Continue a leitura para entender mais sobre a Reserva de Fluxo Fracionada (FFR)!

Se você tem lesões coronarianas obstrutivas, seja avaliado por especialistas para identificar a necessidade de angioplastia.

Nem toda placa de gordura visível na angiografia está, de fato, causando uma restrição significativa ao fluxo sanguíneo para o músculo cardíaco (isquemia). É aqui que entra uma ferramenta avançada e precisa da cardiologia intervencionista: a Reserva de Fluxo Fracionada (FFR).

Em nosso grupo de cardiologistas, investimos em tecnologia de ponta e conhecimento especializado para oferecer diagnósticos e tratamentos cada vez mais precisos e personalizados. O FFR é um exemplo desse compromisso, nos permitindo tomar decisões terapêuticas mais embasadas e, muitas vezes, evitar procedimentos desnecessários, focando no que realmente trará benefício para a saúde do coração.

O que é a Reserva de Fluxo Fracionada (FFR)?

A angiografia coronária tradicional nos fornece um “mapa” anatômico das artérias do coração, mostrando onde estão as obstruções e qual o seu grau aparente de estreitamento. No entanto, essa imagem bidimensional nem sempre reflete o real impacto funcional daquela lesão. Uma obstrução que parece ser de 70% pode, em alguns casos, não estar limitando o fluxo sanguíneo de forma crítica, enquanto uma que parece de 50% pode estar causando isquemia significativa…

A Reserva de Fluxo Fracionada (FFR) é uma medida fisiológica, realizada durante o próprio cateterismo cardíaco, que avalia exatamente isso: o impacto funcional de uma estenose coronária. 

Simplificando, o FFR mede a diferença de pressão sanguínea antes e depois da obstrução, sob condições de hiperemia máxima.

  • Hiperemia Máxima: Para entender o verdadeiro impacto de uma obstrução, precisamos ver como ela se comporta quando o coração está trabalhando ao máximo e demandando o maior fluxo sanguíneo possível (como durante um exercício intenso). Durante o FFR, administramos um medicamento (geralmente adenosina) que dilata ao máximo as pequenas artérias do coração, simulando essa condição de esforço máximo. É um estado seguro e transitório, essencial para a precisão do exame.
  • A Medida: Um fio-guia especial, muito fino e com um sensor de pressão em sua ponta, é avançado através do cateter até a artéria coronária, ultrapassando a lesão a ser estudada. Com o coração sob hiperemia máxima, medimos a pressão distal à lesão (Pd) e a comparamos com a pressão na aorta (Pa, antes da lesão). O FFR é o resultado da divisão Pd/Pa.

Um valor de FFR de 1.0 significa que não há nenhuma limitação ao fluxo. Quanto menor o valor do FFR, maior o impacto da obstrução no fluxo sanguíneo.

Exemplo de medições das pressões da aorta (em vermelho) e distal à lesão (em verde), com cálculo do FFR (em amarelo).

E por que o FFR faz a diferença?

A principal vantagem do FFR é sua capacidade de identificar quais estenoses estão realmente causando isquemia miocárdica (falta de oxigênio para o músculo cardíaco) e, portanto, quais se beneficiariam de um tratamento como a angioplastia com stent.

Os benefícios de usar o FFR para guiar o tratamento incluem:

  • Custo-efetividade: Ao evitar procedimentos desnecessários, a estratégia guiada por FFR também se mostrou mais custo-efetiva.
  • Evitar stents desnecessários: Se o FFR de uma lesão intermediária (por exemplo, entre 50% e 70% na angiografia) for superior a 0.80, isso indica que a lesão não está causando isquemia significativa. Nesses casos, o tratamento clínico otimizado (com medicamentos) costuma ser a melhor abordagem, evitando os riscos e custos de um implante de stent que não traria benefício adicional.
  • Tratar apenas o que precisa ser tratado: Em pacientes com múltiplas lesões, o FFR ajuda a identificar qual/quais delas são culpadas pela isquemia, direcionando o tratamento para as lesões funcionalmente importantes.
  • Melhores resultados a longo prazo: Estudos clínicos robustos, como o FAME (Fractional Flow Reserve versus Angiography for Multivessel Evaluation), demonstraram que a estratégia guiada por FFR em pacientes com doença coronária multiarterial resulta em melhores desfechos clínicos, incluindo redução de eventos cardíacos adversos maiores (morte, infarto e necessidade de nova revascularização), quando comparada à estratégia guiada apenas pela angiografia.

Em nosso grupo de cardiologistas, a utilização do FFR é uma prática rotineira em casos selecionados, reforçando nosso compromisso com uma medicina baseada em evidências e centrada no paciente.

Equipe da OneHeart realizando procedimento no Centro de Hemodinâmica do Instituto de Neurologia de Curitiba (INC).
Exemplo de como o cálculo do FFR pode auxiliar na decisão de realizar a angioplastia.

Perguntas Frequentes (FAQ) sobre a Reserva de Fluxo Fracionada (FFR)

  • P1: O FFR adiciona risco ao cateterismo cardíaco?
    • R: O FFR é um procedimento muito seguro. Os riscos adicionais ao cateterismo padrão são mínimos e geralmente relacionados à passagem do fio-guia ou aos efeitos transitórios da adenosina. Nossa equipe experiente toma todas as precauções para minimizar qualquer risco. Explicaremos todos os riscos em uma avaliação presencial. 
  • P2: Se a angiografia mostra uma obstrução, por que não tratá-la sempre com stent?
    • R: Colocar um stent quando não é necessário não traz benefício adicional e adiciona os riscos inerentes ao procedimento. A angiografia mostra a anatomia, mas não necessariamente a fisiologia (o impacto no fluxo). Muitas obstruções visualizadas não limitam o fluxo sanguíneo de forma significativa a ponto de requerer um stent. O FFR nos ajuda a identificar precisamente quais lesões se beneficiarão do tratamento, evitando intervenções em lesões que podem ser seguramente manejadas com medicação. 
  • P3: Em quais situações o FFR é mais utilizado?
    • R: O FFR é particularmente útil para avaliar lesões coronárias de gravidade intermediária (geralmente entre 40% e 70% de obstrução visual pela angiografia), em pacientes com doença em múltiplas artérias para decidir quais lesões tratar, ou quando há discordância entre os sintomas do paciente e os achados da angiografia ou de testes não invasivos.

A Reserva de Fluxo Fracionada (FFR) revolucionou a forma como avaliamos e tratamos a doença arterial coronariana. Ela nos permite ir além da imagem anatômica, compreendendo o real significado fisiológico de uma obstrução. Ao incorporar o FFR em nossa prática, nosso grupo de cardiologistas reafirma o compromisso de oferecer o tratamento mais adequado, seguro e eficaz para cada paciente, otimizando os resultados e melhorando a qualidade de vida.

Referências:

https://heart.bmj.com/content/94/7/949

https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2589004223013226

https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC6649528

https://www.jacc.org/doi/10.1016/j.jacc.2017.04.019

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