MitraClip e PASCAL (TEER) – O que são? Para quem servem?

Reparo da Valva Mitral Bordo-a-Bordo (TEER) – Tire suas dúvidas aqui!

Cansaço excessivo, falta de ar ao realizar atividades simples ou inchaço nas pernas podem ser sinais de que sua valva mitral não está funcionando corretamente. A insuficiência mitral (IM) é uma condição em que a valva mitral não se fecha adequadamente, permitindo que o sangue volte para o átrio esquerdo. Quando essa insuficiência é significativa e sintomática, ela pode sobrecarregar o coração e os pulmões.

Tradicionalmente, a cirurgia de coração aberto era a principal opção para corrigir problemas graves na valva mitral. No entanto, para muitos pacientes, especialmente aqueles com risco cirúrgico elevado, essa não é uma alternativa viável. É aqui que surge uma tecnologia inovadora e menos invasiva: o Reparo Transcateter Bordo-a-Bordo (TEER – do inglês “Transcatheter Edge-to-Edge Repair”).

Nosso grupo de cardiologistas é especializado nesses procedimentos! O TEER representa um avanço significativo no cuidado de pacientes com insuficiência mitral, oferecendo uma opção segura e eficaz para melhorar a qualidade de vida.

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Sumário do Artigo:

O que é o Reparo Bordo-a-Bordo?

O Reparo Transcateter Bordo-a-Bordo (TEER) é um procedimento minimamente invasivo realizado por cateter para tratar a insuficiência mitral. A técnica é uma adaptação de um procedimento cirúrgico conhecido como sutura de Alfieri, em que as bordas livres das cúspides (ou folhetos) anterior e posterior da valva mitral são aproximadas no local do jato regurgitante, criando um orifício valvar duplo e reduzindo o escape de sangue.

Como o TEER corrige a insuficiência mitral?

Com o TEER, essa aproximação é feita através de um pequeno dispositivo, como um “clipe” (por exemplo, MitraClip) ou um sistema com espaçador e pás (por exemplo, PASCAL), que é implantado através de um cateter. Esse cateter é geralmente inserido por uma veia na virilha (veia femoral) e guiado até o coração com o auxílio de exames de imagem, como ecocardiografia transesofágica (ETE) e fluoroscopia (Raio-X em tempo real).
O objetivo do TEER é melhorar o fechamento dos folhetos da valva mitral (coaptação das cúspides), diminuindo significativamente a quantidade de sangue que reflui.

Para quem o TEER é indicado?

A decisão de realizar um TEER é complexa e sempre tomada por uma equipe multidisciplinar especializada, o Heart Team, que inclui cardiologistas clínicos, intervencionistas/hemodinamicistas, cirurgiões cardíacos e especialistas em imagem cardíaca.
O TEER é geralmente considerado para pacientes com insuficiência mitral sintomática significativa (moderada a grave ou grave) que são considerados de alto risco ou risco proibitivo para a cirurgia convencional de valva mitral.
Os critérios de elegibilidade podem variar dependendo do tipo de insuficiência mitral:

1. Insuficiência Mitral Primária (Degenerativa):

  • Causada por um problema na própria valva mitral (ex: prolapso da valva mitral).
  • Indicado para pacientes sintomáticos com anatomia valvar favorável e que apresentam alto risco para cirurgia.
  • A expectativa de vida do paciente deve ser de, no mínimo, 1 ano.

2. Insuficiência Mitral Secundária (Funcional):

  • Causada por dilatação ou disfunção do ventrículo esquerdo (ex: após infarto ou em cardiomiopatias).
  • Indicado para pacientes que permanecem sintomáticos apesar do tratamento clínico otimizado para insuficiência cardíaca.
  • São considerados critérios específicos de função ventricular (fração de ejeção do ventrículo esquerdo geralmente entre 20-50%), dimensões do ventrículo e pressão da artéria pulmonar (baseados em estudos como o COAPT).
  • A anatomia da valva mitral também deve ser favorável.

Contraindicações importantes incluem endocardite ativa (infecção da valva), presença de trombos no coração, doença valvar mitral reumática com estenose significativa, ou intolerância à terapia anticoagulante/antiplaquetária necessária após o procedimento.

A jornada do paciente: do diagnóstico ao pós-procedimento TEER. O que esperar?

Como o TEER é feito?

Entender o processo pode ajudar a reduzir a ansiedade. Veja as etapas típicas:

  • Avaliação pré-procedimento: inclui uma avaliação clínica detalhada e exames de imagem, principalmente a ecocardiografia transesofágica (ETE) tridimensional, para confirmar a gravidade da IM, avaliar a anatomia da valva mitral e determinar se o paciente é um bom candidato.
  • O procedimento:
    • Realizado em um centro de hemodinâmica.
    • Geralmente sob anestesia geral, devido à necessidade de orientação contínua pelo ecocardiograma transesofágico.
    • Um cateter é introduzido pela veia femoral (na virilha) e avançado até o átrio direito. É realizada uma punção transeptal (uma pequena passagem no septo que divide os átrios) para acessar o átrio esquerdo.
    • O sistema de entrega com o dispositivo TEER é então avançado através do septo até a valva mitral.
    • Sob visualização ecocardiográfica e fluoroscópica, o dispositivo é posicionado para “clipar” ou aproximar as cúspides anterior e posterior da valva mitral no ponto de maior regurgitação.
    • A redução da IM é avaliada em tempo real. Se necessário, um segundo dispositivo pode ser implantado.
    • Todo o procedimento dura, em média, 2-3 horas.

Ilustração do procedimento de TEER da valva mitral
Ilustração do procedimento de TEER da valva mitral com o MitraClip.

  • Pós-procedimento:
    • O paciente é monitorado em uma unidade de recuperação e, posteriormente, no quarto.
    • A maioria dos pacientes recebe alta hospitalar em poucos dias.
    • É prescrita terapia antiplaquetária (como aspirina ou clopidogrel) por alguns meses para prevenir a formação de coágulos no dispositivo.
    • O acompanhamento regular com ecocardiogramas é fundamental.

Benefícios e considerações do TEER – Vantagens e pontos de atenção

Benefícios:

  • Minimamente invasivo: Sem a necessidade de cirurgia de peito aberto.
  • Recuperação mais rápida: Comparada à cirurgia convencional.
  • Alívio dos sintomas: Melhora da falta de ar, cansaço e aumento da capacidade de realizar atividades.
  • Melhora da qualidade de vida.
  • Opção para pacientes de alto risco cirúrgico.

Considerações/Riscos:

Como qualquer procedimento invasivo, o TEER possui riscos, embora geralmente baixos em centros experientes. As complicações podem incluir:

  • Sangramento no local da punção.
  • Desprendimento parcial ou total do dispositivo (raro).
  • Estenose mitral residual (estreitamento da valva após o reparo).
  • Acidente vascular cerebral (AVC).
  • Lesão esofágica devido à sonda do ecocardiograma transesofágico.

É crucial discutir todos os riscos e benefícios com a sua equipe médica. Nossa equipe de cardiologistas intervencionistas possui experiência e adota todas as medidas para garantir a segurança do procedimento.

Perguntas Frequentes (FAQ) sobre o TEER – Respostas para as dúvidas mais comuns

  • P1: O TEER é uma cirurgia de coração aberto?
    R: Não. O TEER é um procedimento minimamente invasivo realizado através de cateteres inseridos por uma veia na virilha, sem a necessidade de abrir o peito ou parar o coração.
  • P2: Todos os pacientes com insuficiência mitral podem fazer o TEER?
    R: Não. O TEER é indicado para um grupo selecionado de pacientes com insuficiência mitral sintomática significativa que são considerados de alto risco para cirurgia convencional e que possuem uma anatomia da valva mitral favorável ao procedimento. A decisão é sempre individualizada e tomada pelo Heart Team.
  • P3: Qual o tempo de recuperação após o TEER?
    R: A recuperação é geralmente muito mais rápida do que a cirurgia cardíaca tradicional. Muitos pacientes recebem alta em 1 a 3 dias e podem retomar atividades leves em pouco tempo, com melhora progressiva dos sintomas.

O TEER é um avanço significativo no tratamento da Insuficiência Mitral

O Reparo Transcateter Bordo-a-Bordo (TEER) transformou o tratamento da insuficiência mitral, oferecendo uma opção segura e eficaz para pacientes que antes tinham poucas alternativas terapêuticas. Através de uma avaliação cuidadosa e da experiência de uma equipe multidisciplinar, o TEER pode proporcionar alívio significativo dos sintomas e melhorar a qualidade de vida.
Nosso grupo de cardiologistas está na vanguarda da cardiologia intervencionista estrutural, comprometido em oferecer as mais avançadas e personalizadas opções de tratamento para nossos pacientes.

Se você foi diagnosticado com insuficiência mitral e busca alternativas de tratamento menos invasivas, ou se deseja uma segunda opinião sobre sua condição, nossa equipe está pronta para ajudar.

Converse com nossos especialistas sobre o Reparo da Valva Mitral Bordo-a-Bordo (TEER). Agende sua avaliação e descubra se essa pode ser a melhor opção para você.

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Referências das imagens:

https://mitraclip.com/physician/mitraclip-procedure/mitraclip-tmvr-mitral-regurgitation-treatment

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