A valva aórtica é uma estrutura do coração responsável por controlar o fluxo de sangue do coração para o resto do corpo. Quando essa valva se torna estreitada e endurecida – uma condição conhecida como estenose aórtica – o coração precisa trabalhar muito mais para bombear o sangue, podendo levar a sintomas como falta de ar, dor no peito, tonturas, desmaios e, em casos graves, insuficiência cardíaca.
Por muitos anos, a cirurgia de peito aberto para substituição da valva aórtica foi o tratamento padrão. No entanto, para alguns pacientes, especialmente os mais idosos ou com outras condições de saúde, essa cirurgia representava um risco elevado. Felizmente, a medicina cardiovascular avançou, e hoje temos uma alternativa minimamente invasiva e revolucionária: o Implante Transcateter de Válvula Aórtica, mais conhecido como TAVI (do inglês, Transcatheter Aortic Valve Implantation) ou TAVR (Transcatheter Aortic Valve Replacement).
Nosso grupo de cardiologistas em Curitiba tem experiência com a implementação de tecnologias como o TAVI, oferecendo aos nossos pacientes acesso a tratamentos modernos, seguros e eficazes, sempre com um olhar humanizado e individualizado.
Sumário do Artigo
- Entendendo o TAVI: o que é essa técnica inovadora?
- Estenose Aórtica: o problema que o TAVI soluciona
- Para quem o TAVI é indicado? Avaliação e critérios
- A jornada do paciente com TAVI: passo a passo do procedimento
- Benefícios claros e riscos considerados do TAVI
- Vida após o TAVI: recuperação e cuidados
- Perguntas Frequentes (FAQ)
- TAVI – Um novo horizonte para pacientes com estenose aórtica
Entendendo o TAVI: o que é essa técnica inovadora?
Imagine substituir uma valva cardíaca defeituosa sem a necessidade de uma grande cirurgia, sem abrir o osso esterno e, muitas vezes, sem anestesia geral profunda. Isso é o TAVI! Trata-se de um procedimento minimamente invasivo, no qual uma nova valva aórtica, feita de tecido biológico montado em um stent metálico, é implantada dentro da valva aórtica doente do paciente.
Para isso, a nova valva é compactada e inserida através de um cateter (um tubo fino e flexível), geralmente pela artéria femoral, na virilha. O cateter é então guiado cuidadosamente através dos vasos sanguíneos até o coração. Uma vez posicionada corretamente dentro da valva aórtica doente, a nova valva é expandida, empurrando os folhetos da valva antiga para as laterais e assumindo imediatamente sua função.
Estenose Aórtica: o problema que o TAVI soluciona
A principal indicação para o TAVI é a estenose aórtica grave e sintomática. Essa condição ocorre quando a valva aórtica não se abre completamente devido a calcificação e rigidez de seus folhetos. Quais as consequências dessa dificuldade de abertura?
- O fluxo de sangue do ventrículo esquerdo (a principal câmara de bombeamento do coração) para a aorta (a maior artéria do corpo) é dificultado.
- O coração precisa exercer uma força muito maior para impulsionar o sangue através da valva estreitada.
- Com o tempo, esse esforço excessivo pode levar ao espessamento do músculo cardíaco (hipertrofia), perda de força contrátil e, eventualmente, insuficiência cardíaca.
Os sintomas mais comuns da estenose aórtica incluem:
- Falta de ar (dispneia), especialmente durante esforços.
- Dor ou pressão no peito (angina).
- Tonturas ou desmaios (síncope), principalmente ao esforço.
- Fadiga e redução da capacidade de realizar atividades.
Para quem o TAVI é indicado? Avaliação e critérios
Inicialmente, o TAVI foi desenvolvido como uma alternativa para pacientes com estenose aórtica grave considerados de alto risco ou inoperáveis para a cirurgia convencional. Com a evolução da tecnologia e a comprovação de sua segurança e eficácia em estudos clínicos robustos (como os da série PARTNER e Evolut), as indicações para o TAVI se expandiram.
Atualmente, o TAVI pode ser considerado para:
- Pacientes de alto risco cirúrgico: idosos, com múltiplas comorbidades ou fragilidade.
- Pacientes de risco cirúrgico intermediário: em muitos casos, o TAVI apresenta resultados equivalentes (ou até superiores) à cirurgia.
- Pacientes de baixo risco cirúrgico: estudos recentes, como o Evolut Low Risk e o PARTNER 3, mostraram excelentes resultados do TAVI também nessa população, tornando-o uma opção cada vez mais considerada, especialmente em pacientes mais velhos mesmo dentro desta categoria.

A decisão sobre qual tratamento é o mais adequado (TAVI ou cirurgia convencional) é sempre individualizada e tomada por uma equipe multidisciplinar especializada, o Heart Team. Essa equipe é composta por cardiologistas clínicos, cardiologistas intervencionistas (especialistas em TAVI), cirurgiões cardíacos, anestesistas e especialistas em imagem cardíaca. Eles avaliam minuciosamente o estado de saúde geral do paciente, a gravidade da estenose aórtica, a anatomia da valva e dos vasos sanguíneos, e os riscos e benefícios de cada procedimento.
A jornada do paciente com TAVI: passo a passo do procedimento
1. Antes do procedimento:
- Avaliação completa, incluindo ecocardiograma, tomografia computadorizada e, às vezes, cateterismo cardíaco.
2. Durante o procedimento:
- Realizado em um centro de hemodinâmica.
- Anestesia geral ou sedação consciente.
- Acesso transfemoral pela artéria da virilha.
- Navegação do cateter até o coração sob fluoroscopia e ecocardiografia.
- Implantação da nova valva (balão-expansível ou autoexpansível) em 1–2 horas.
3. Após o procedimento:
- Monitorização por curto período em UTI ou unidade semi-intensiva.
- Paciente costuma caminhar no dia seguinte.
- Tempo de internação: 1–3 dias (significativamente menor que na cirurgia convencional).
Benefícios claros e riscos considerados do TAVI
Principais benefícios:
- Procedimento minimamente invasivo (sem abertura do esterno).
- Recuperação mais rápida e menor tempo de hospitalização.
- Alívio significativo de sintomas (dispneia, angina) e melhora da qualidade de vida.
- Opção segura e eficaz para pacientes de alto risco cirúrgico.
Riscos a considerar:
- Sangramento ou hematoma no local de acesso.
- Vazamento paravalvar.
- Necessidade de marca-passo definitivo.
- Acidente vascular cerebral (AVC).
- Insuficiência renal.
- Complicações relacionadas à prótese.
A experiência da equipe e o planejamento cuidadoso são fundamentais para minimizar esses riscos. Nossa equipe é altamente qualificada e segue rigorosos protocolos de segurança, discutindo os riscos e benefícios com cada paciente.
Vida após o TAVI: recuperação e cuidados
A recuperação após o TAVI é geralmente rápida. Os pacientes são encorajados a retomar suas atividades gradualmente. Orientações comuns incluem:
- Uso de medicamentos antiplaquetários (ex.: aspirina e/ou clopidogrel).
- Acompanhamento regular com o cardiologista e ecocardiogramas periódicos.
- Estilo de vida saudável (dieta equilibrada, atividade física orientada).
Perguntas Frequentes (FAQ)
P1: O TAVI é uma cirurgia grande?
R: Não. O TAVI é um procedimento minimamente invasivo. Diferentemente da cirurgia tradicional, não há corte no osso do peito e o coração não precisa ser parado.
P2: Quanto tempo dura a válvula implantada pelo TAVI?
R: As válvulas usadas no TAVI são bioprostéticas e têm demonstrado boa durabilidade. Estudos de longo prazo (mais de 5–10 anos) continuam a fornecer dados positivos, mas a durabilidade exata pode variar entre os pacientes.
P3: O TAVI é doloroso?
R: O procedimento é realizado sob anestesia ou sedação profunda, então o paciente não sente dor durante a intervenção. Pode haver leve desconforto na virilha após o procedimento, controlado com analgésicos comuns.
TAVI – Um novo horizonte para pacientes com estenose aórtica
O TAVI representa um dos maiores avanços na cardiologia intervencionista moderna. Ele oferece uma alternativa segura, eficaz e menos invasiva para o tratamento da estenose aórtica grave, melhorando significativamente a qualidade de vida e a sobrevida de muitos pacientes que antes tinham opções limitadas.
Em nosso grupo de cardiologia, temos orgulho de oferecer esta tecnologia de ponta, combinando expertise técnica com um cuidado centrado no paciente.
Referências:
