Sumário:
- O que é o FOP e por que ele existe
- Se o FOP é realmente perigoso e se causa sintomas
- A verdadeira relação entre FOP e o Acidente Vascular Cerebral (AVC)
- Quando o fechamento do FOP por cateterismo é indicado
- Como funciona o procedimento minimamente invasivo de fechamento
- Perguntas frequentes sobre o tema
Você sabia que aproximadamente uma em cada quatro pessoas tem uma pequena comunicação no coração chamada Forame Oval Patente, ou FOP? Para a grande maioria, essa característica é completamente inofensiva e nunca causará problemas. No entanto, a internet e as conversas informais estão com muitos mitos e informações imprecisas que podem gerar ansiedade e dúvidas.
O FOP é um “vilão silencioso” ou uma condição benigna? É verdade que ele pode causar um AVC? E em que situações o fechamento dessa abertura é realmente necessário? Como especialistas em cardiologia intervencionista, lidamos com essas questões diariamente. Nosso objetivo aqui é separar os mitos das verdades, oferecendo informações claras e baseadas nas evidências científicas mais recentes para que você possa tomar as melhores decisões sobre a sua saúde cardiovascular.
O Que é o Forame Oval Patente? – Mitos e verdades
Para entender o FOP, precisamos voltar um pouco no tempo, para antes do nosso nascimento. No útero, o feto não usa os pulmões para respirar; o oxigênio vem diretamente da mãe através do cordão umbilical. O forame oval é uma pequena abertura, como uma janela, entre as duas câmaras superiores do coração (os átrios). Ele permite que o sangue rico em oxigênio circule pelo corpo do feto sem precisar passar pelos pulmões ainda não funcionais.
Após o nascimento, quando o bebê respira pela primeira vez, a pressão no coração muda, e essa janela se fecha naturalmente na maioria das pessoas. Quando ela permanece aberta, temos o Forame Oval Patente (FOP). É importante ressaltar: não é um “buraco no coração” no sentido de uma doença grave, mas sim a persistência de uma estrutura fetal normal.
Mito #1: Todo FOP é perigoso e causa sintomas
Esse é, talvez, o maior mito sobre o FOP. A realidade é que a imensa maioria das pessoas com FOP vive uma vida normal, sem qualquer sintoma ou complicação. Na maioria das vezes, o FOP é um achado incidental, descoberto durante um ecocardiograma realizado por outros motivos.
Em situações mais raras, como a síndrome de platipneia-ortodeoxia (em que o paciente sente falta de ar e tem queda de oxigênio ao ficar em pé), em que o FOP pode causar sintomas. No entanto, para a população geral, a presença de um FOP, por si só, não é motivo para alarme.
Verdade #1: A ligação crítica entre FOP e AVC (Acidente Vascular Cerebral)

Aqui entramos no ponto mais importante e que exige uma avaliação especializada. Em certas circunstâncias, o FOP pode ser uma “porta de entrada” para um tipo específico de AVC, conhecido como AVC criptogênico (um AVC cuja causa não é identificada após uma investigação completa).
O mecanismo é chamado de embolia paradoxal. Funciona assim: pequenos coágulos sanguíneos, que normalmente se formam nas veias das pernas e seriam filtrados pelos pulmões, podem, durante um aumento de pressão no peito (como ao tossir ou fazer força), passar da circulação venosa para a arterial através do FOP. Se esse coágulo viajar até o cérebro, pode causar um AVC.

É fundamental entender que nem todo paciente com AVC e FOP teve o evento por causa do FOP. A decisão de atribuir o AVC ao FOP é complexa e requer uma análise cuidadosa por uma equipe multidisciplinar, envolvendo cardiologistas e neurologistas. Ferramentas de estratificação de risco, como o escore PASCAL, nos ajudam a determinar a probabilidade dessa conexão, analisando a anatomia do FOP e os fatores de risco do paciente.
Mito #2: Todo FOP precisa passar por procedimento para fechamento
Com base em estudos clínicos robustos, a principal indicação para o fechamento do FOP é para pacientes, geralmente com menos de 60 anos, que sofreram um AVC criptogênico e nos quais o FOP é considerado a causa mais provável. Nesses casos, o fechamento demonstrou ser superior à medicação isolada para prevenir a recorrência de um novo AVC.
E quanto a outras condições, como a enxaqueca com aura? Embora exista uma associação estatística entre FOP e enxaqueca, estudos ainda não suportaram o fechamento do FOP de forma rotineira para esses pacientes. As diretrizes atuais não recomendam o fechamento rotineiro do FOP para tratar enxaqueca. O mesmo vale para mergulhadores com doença descompressiva, em que a indicação de fechamento é muito seletiva e não rotineira.
Verdade #2: O fechamento do FOP pode ser realizado por um procedimento minimamente invasivo
O fechamento do FOP é um procedimento de cardiologia intervencionista, realizado sem a necessidade de uma cirurgia de peito aberto. Através de uma pequena punção em uma veia na virilha, um cateter (um tubo fino e flexível) é guiado até o coração.

Por meio deste cateter, uma prótese, que se parece com dois pequenos discos conectados por uma haste central, é implantada na abertura do FOP. Um disco fica no átrio esquerdo e o outro no átrio direito, fazendo um “sanduíche” e selando a comunicação. O procedimento é guiado por imagens de ecocardiograma e fluoroscopia (raio-x em tempo real), garantindo a precisão e a segurança. A recuperação é rápida, e a maioria dos pacientes recebe alta no dia seguinte.
Perguntas Frequentes (FAQ)
1. O fechamento do FOP é um procedimento arriscado?
Como todo procedimento médico, existem riscos, mas o fechamento percutâneo do FOP é considerado muito seguro quando realizado por equipes experientes. A complicação mais comum é o desenvolvimento de uma arritmia temporária, como a fibrilação atrial, nas primeiras semanas após o procedimento, que geralmente se resolve. Riscos mais sérios, como deslocamento da prótese ou sangramento, são muito mais raros.
2. Tenho FOP e enxaqueca. Devo fechar?
Atualmente, as evidências científicas não sustentam o fechamento do FOP como tratamento padrão para enxaqueca, mesmo em casos de enxaqueca com aura. A decisão deve ser muito individualizada e discutida em profundidade com seu cardiologista e neurologista, pesando os benefícios incertos contra os pequenos, mas reais, riscos do procedimento.
3. Depois de fechar o FOP, preciso tomar remédios para sempre?
Após o procedimento, é necessário um período de tratamento com medicamentos antiagregantes plaquetários (como aspirina e clopidogrel) para prevenir a formação de coágulos na prótese enquanto o tecido do coração cicatriza sobre ela. Esse tratamento dura, em geral, alguns meses. A necessidade de manter um medicamento a longo prazo é avaliada caso a caso, dependendo do perfil de risco individual do paciente.
Conclusão
O Forame Oval Patente é uma condição comum e, na maioria das vezes, inofensiva. A principal verdade é sua associação com o AVC em um grupo específico de pacientes, em que o fechamento percutâneo se tornou uma terapia eficaz e segura para prevenir novos eventos.
A decisão sobre investigar e tratar um FOP não é uma receita única para todos. Ela exige uma avaliação criteriosa, tecnologia de ponta para diagnóstico e a expertise de uma equipe de cardiologistas intervencionistas que possa analisar cada detalhe do seu caso.
A decisão sobre o manejo do seu Forame Oval Patente é complexa e deve ser baseada em uma avaliação detalhada. Nossa equipe de cardiologistas intervencionistas possui a experiência e a tecnologia para analisar seu caso e recomendar o melhor caminho para sua saúde.
Para uma avaliação detalhada e um plano de tratamento personalizado, agende sua consulta com nossos especialistas.
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Referências das imagens:
- https://tidsskriftet.no/en/2014/01/ischaemic-stroke-patent-foramen-ovale
- https://my.clevelandclinic.org/health/diseases/17326-patent-foramen-ovale-pfo
- https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/patent-foramen-ovale/symptoms-causes/syc-20353487
